sábado, 28 de junho de 2014
quarta-feira, 25 de junho de 2014
segunda-feira, 16 de junho de 2014
quinta-feira, 12 de junho de 2014
quarta-feira, 11 de junho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
segunda-feira, 9 de junho de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
sábado, 5 de abril de 2014
Centro comercial de Viseu assinala Centenário
«O Palácio do Gelo Shopping, em parceria com o Regimento de Infantaria 14 e a Liga dos Combatentes, propõe, a partir do próximo dia 28 de Março, uma exposição alusiva ao centenário da 1ª Guerra Mundial. Patente até ao dia 7 de Abril, no piso 0, a mostra apresenta, através de imagens e textos descritivos, a realidade vivida durante o primeiro conflito global do século XX, proporcionando um olhar histórico sobre uma guerra na qual participou a então jovem República Portuguesa.» (fonte)
sexta-feira, 4 de abril de 2014
A guerra que mudou o século
Autor do volume Der Grosse Krieg: Die Welt 1914 - 1918 (A Grande Guerra: O Mundo entre 1914 e 1918), o cientista político Herfried Münkler fala à Deutsche Welle sobre a memória da Primeira Guerra, o papel desempenhado pela Alemanha no contexto do conflito armado e as lições que a Guerra deixou. Münkler é um dos mais importantes especialistas alemães que se dedicaram a uma análise profunda da Primeira Guerra Mundial e do significado do conflito para a história posterior da humanidade.
Deutsche Welle: Desde o início de 2014 a mídia tem lembrado a eclosão da Primeira Guerra Mundial, há 100 anos. A razão disso é realmente o centenário da Guerra ou estamos vivenciando uma nova forma de elaboração da história?
Herfried Münkler: Uma coisa não exclui a outra. Muitas vezes essas comemorações são uma oportunidade de se debruçar com calma e de maneira mais profunda sobre um tema. E isso mostra que a "Grande Guerra", como os britânicos, franceses e italianos chamam o conflito, deu o tom da violência que assolaria o século 20. É possível aprender muito estudando sobre a guerra, sobretudo sobre o que não se deve fazer. Penso que este tenha sido realmente um grande acontecimento, ao qual a Europa deve se deter para avaliar o que aconteceu de errado no século 20, e fazer melhor no século 21.
Na Alemanha, chamamos essa guerra que aconteceu entre 1914 e 1918 de "Primeira Guerra Mundial". Por que o título do seu livro é "A Grande Guerra"?
O conceito "Grande Guerra" tem, a princípio, algo estranho. E tem também um caráter de alerta, pelo menos para os ouvidos alemães. Pois foi a Guerra que, como guerra europeia, determinou o século 20. É possível dizer: sem esta guerra, não teria havido a Segunda Guerra Mundial, possivelmente também não teria havido o nazismo, nem o stalinismo, nem a tomada de poder bolchevique em Petrogrado [hoje São Petersburgo]. Ou seja, teria sido um século totalmente diferente. De forma que o termo "Grande Guerra" é adequado.
Se a Primeira Guerra Mundial teve esse efeito de alerta para todo o século 20 que se seguiu, por que ela é tão pouco presente na elaboração do passado alemão? Pelo menos muito menos que a Segunda Guerra Mundial.
É preciso diferenciar: nos países vizinhos da Europa Ocidental, como Itália, França e Reino Unido, a Primeira Guerra Mundial está muito presente como a Grande Guerra. Isso tem a ver com o fato de que as perdas humanas causadas por esta guerra foram maiores para estes países do que as da Segunda Guerra.
Na Alemanha isso é diferente, pois a Segunda Guerra Mundial estava atrelada a deslocamentos forçados, às destruições causadas pelos bombardeios, aos crimes praticados pelos alemães e à culpa alemã. Quanto mais você se locomove rumo ao Leste Europeu, mais presente é a Segunda Guerra Mundial na memória. É possível falar de um abismo entre Leste e Oeste na cultura da memória na Europa.
Um século depois da eclosão da Guerra, ressurge o debate sobre a culpa pelo conflito. O livro Os Sonâmbulos, do historiador australiano Christopher Clark, desencadeou esta discussão. Ele revida a tese, aceita há tempos, de que a culpa teria sido somente dos alemães, apontando como as grandes potências estavam inaptas a evitar a Guerra que começou nos Bálcãs. Qual é sua posição nesse debate sobre a culpa pela Guerra? Esse debate leva a algum lugar?
Não acho que o conceito de culpa seja útil neste contexto. Trata-se de um conceito moral ou talvez jurídico, formulado no artigo 231 do Tratado de Versalhes, segundo o qual toda a culpa é creditada à Alemanha. Mas esta é uma discussão que não precisamos levar adiante hoje em dia. Ou seja, faz mais sentido falar sobre a responsabilidade e voltar os olhos para as estimativas e decisões incorretas daquele momento. Isso é o que acredito ser útil hoje para aprender alguma coisa 100 anos depois da Guerra.
Qual foi o papel do Império Alemão naquela época na Europa Central?
A Alemanha não compreendeu seu papel peculiar de centro geopolítico. Não se pode dizer que não teria acontecido uma guerra aqui ou outra acolá no século 20, mas teria sido possível localizar essas guerras. O que os alemães fizeram foi reunir diversos caldeirões de conflito, ou seja, o conflito manifesto nos Bálcãs, com o conflito latente, mas de forma alguma agudo em torno da Alsácia-Lorena, e também o conflito em torno do controle do Mar do Norte. Isso foi uma burrice política óbvia.
O senhor diz que não se deve perder a periferia de vista. Devemos nos preocupar atualmente com o que acontece na Crimeia? Pode eclodir lá uma nova guerra mundial, 100 anos depois da Primeira?
Precisamos nos preocupar, mas não por causa da ameaça de uma guerra, mas pelas tensões políticas e pelas consequências das sanções econômicas. Mas principalmente porque fica claro aqui que o poder militar ainda é um fator determinante da política europeia – naturalmente apenas na periferia. O governo alemão não deixou o conflito acontecer, mas se envolveu em suas diversas etapas várias vezes como mediador – e isso não porque tenha relevância militar, mas apenas por causa de seu peso econômico e político.
No seu livro, o senhor aponta também a Ásia como região de conflito em potencial. O senhor chega a comparar a China de hoje com o Império Alemão da época.
Digno de nota é o fato de a China ser um país tão grande e tão forte, sobretudo economicamente, embora não se sinta reconhecida do ponto de vista político. Essa é uma situação que se assemelha em muitos aspectos ao Império Alemão de 1914. Pode-se dizer: muita coisa que deu errado na Europa de 1914 poderia também dar errado na China hoje. Ou seja, os políticos e estadistas chineses deveriam analisar detalhadamente a história que precedeu a Primeira Guerra Mundial e a Crise de Julho [desencadeada pelo atentado contra o casal herdeiro da coroa austríaca] a fim de não cometerem os mesmos erros de então.
Ressurgiu na Alemanha a discussão a respeito de uma participação mais intensa do país nas missões militares europeias. Como o senhor vê isso, tendo em vista nosso próprio passado? Fica bem para a Alemanha participar destas missões exatamente por causa do seu passado? Ou não?
Invertemos a pergunta: Fica bem para a Alemanha, tendo em vista seu passado, ficar de fora de tudo e, aos olhos dos vizinhos europeus, parecer covarde ou oportunista? Os outros puxam o carro em que os alemães seguem sentados e vão ficando cada vez mais gordos e se deliciando. Ou seja, acredito que esse papel especial, que tanto a Alemanha Ocidental quanto a extinta Alemanha Oriental desempenharam ,e com razão, precisa definitivamente acabar 25 anos depois da Queda do Muro de Berlim. Precisamos ser um povo, uma nação como as outras. Não precisamos nos destacar, mas não devemos fugir da raia quando somos requisitados.
Herfried Münkler é professor de Ciências Políticas na Universidade Humboldt de Berlim.
É autor de A Grande Guerra: O mundo entre 1914 e 1918. Editora Rowohlt, 2013.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
"No Man's Land - 100 years of the Great War in literature and the arts" na Universidade do Minho
XIII Jornadas de Inglês
Auditório do ILCH (Instituto de Letras e Ciencias Humanas), campus de Gualtar, Braga
Segunda-feira, 07-04-2014
O Departamento de Estudos Ingleses e Norte-Americanos da Universidade do Minho realiza a 7 de abril as XIII Jornadas de Inglês, no campus de Gualtar, em Braga. A iniciativa tem o tema "No Man's Land - 100 years of the Great War in literature and the arts", incidindo assim na representação da guerra na literatura e nas artes, no âmbito do 100º aniversário do início da I Guerra Mundial.
Programa e mais informação aqui: ILCH - Universidade do Minho
Auditório do ILCH (Instituto de Letras e Ciencias Humanas), campus de Gualtar, Braga
Segunda-feira, 07-04-2014
O Departamento de Estudos Ingleses e Norte-Americanos da Universidade do Minho realiza a 7 de abril as XIII Jornadas de Inglês, no campus de Gualtar, em Braga. A iniciativa tem o tema "No Man's Land - 100 years of the Great War in literature and the arts", incidindo assim na representação da guerra na literatura e nas artes, no âmbito do 100º aniversário do início da I Guerra Mundial.
Programa e mais informação aqui: ILCH - Universidade do Minho
domingo, 30 de março de 2014
"A Europa entre Guerras". Uma jornada de reflexão e debate em Lisboa
3 e 4 de Abril de 2014
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ UNL
Edifício I&D, Piso 4, Salas Multiusos 2 e 3
Entrada livre
Mais informações em http://europebetweentheworldwars.wordpress.com
Programa
09h30-10h00 Recepção aos participantes/ Registration
10h00-11h00 Conferência de abertura/ Lecture | Sala multiusos 2
Coming out from wars. Europe in post World Wars - Patrizia Dogliani, Università di Bologna
11h00-13h00 Nacionalismo e internacionalismo | Sala multiusos 2
Moderação: Maria Fernanda Rollo, FCSH e IHC, FCSH-UNL
11h00-13h30 Espaços e representações culturais | Sala multiusos 3
Moderação: Carlos Vargas, IHC, FCSH-UNL
13h30-15h00 Pausa para almoço/ Lunch
15h00-18h00 Pensamento e ideologias | Sala multiusos 2
Moderação: Maria Manuela Tavares Ribeiro, FL-UC e CEIS20 – Universidade de Coimbra
16h30-16h45 Pausa / Pause
Moderação: Teresa Nunes, FL-UL e IHC, FCSH-UNL
15h00-17h00 História e Memória | Sala multiusos 3
Moderação: Isabel Maria Freitas Valente, CEIS20 – Universidade de Coimbra
4 de Abril / April 4
09h00-10h15 Regimes políticos, religião e autoritarismo | Sala multiusos 2
Moderação: Alice Cunha, IHC, FCSH-UNL
10h15-10h30 Pausa/ pause
10h30-12h00 Espanha entre guerras | Sala multiusos 2
Moderação: Ruben Serem, IHC, FCSH-UNL
09h-12h00 Vencer a guerra, ganhar a paz | Sala multiusos 3
Moderação: Ana Paula Pires, IHC, FCSH-UNL
10h15-10h30 Pausa/ Pause
Moderação: Aniceto Afonso, IHC, FCSH-UNL
Fonte: II Encontro Anual A Europa no Mundo - A Europa entre Guerras (1919 - 1939)
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ UNL
Edifício I&D, Piso 4, Salas Multiusos 2 e 3
Entrada livre
Mais informações em http://europebetweentheworldwars.wordpress.com
Programa
09h30-10h00 Recepção aos participantes/ Registration
10h00-11h00 Conferência de abertura/ Lecture | Sala multiusos 2
Coming out from wars. Europe in post World Wars - Patrizia Dogliani, Università di Bologna
11h00-13h00 Nacionalismo e internacionalismo | Sala multiusos 2
Moderação: Maria Fernanda Rollo, FCSH e IHC, FCSH-UNL
- Winners in the war, defeated in peace. The legacy of the Great War as laceration of Italian society: from the “two red years” to the reactionary drift of fascism (1919-1925) - Mauro Pellegrini, White War Museum – Temù, Italia
- The International Battle for Grain. Italy, the League of Nations and the struggle for regulating the production of wheat during the Great Depression - José Antonio Sánchez Román, Universidad Complutense de Madrid, España
- Nationalism and internationalism. The socialist Spanish intellectual elites and the discourses of the nation - Aurelio Martí Bataller, Universitat de València, España
- O Comintern e Portugal - João Arsénio Nunes, Instituto Universitário de Lisboa
11h00-13h30 Espaços e representações culturais | Sala multiusos 3
Moderação: Carlos Vargas, IHC, FCSH-UNL
- Conflito e compromisso no campo arquitectónico entre guerras - Joana Brites, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra The role of gardens and public parks in the reconstruction of cities destroyed by war: an overview - Ana Duarte Rodrigues, CHAM, FCSH-UNL
- A dança, uma arte em expansão entre Guerras - Maria João Castro, Instituto de História da Arte, FCSH-UNL
- Entre nacionalismo e autoritarismo: os discursos sobre a cultura musical em Portugal no período entre Guerras (1919-1939) - Luís Miguel Santos, CESEM, FCSH-UNL
- Spain and the International Institute of Intellectual Co-operation (1926-1939) - Diana Sanz Roig, Universitat Pompeu Fabra, España
- Nacionalismo desportivo entre guerras – as seleções como instrumento de unidade nacional - César Rodrigues, CEIS20 – Universidade de Coimbra
13h30-15h00 Pausa para almoço/ Lunch
15h00-18h00 Pensamento e ideologias | Sala multiusos 2
Moderação: Maria Manuela Tavares Ribeiro, FL-UC e CEIS20 – Universidade de Coimbra
- Politics beyond Liberalism? Max Weber’s Political Thought and the German Critical Juncture of 1917-1919 - Pedro T. Magalhães, CESNOVA, FCSH-NOVA
- Ideias federais na Europa entre guerras - José Gomes André, Universidade de Lisboa “Pela Paz”! A ideia de “Estados Unidos da Europa” entre guerras. Uma visão a partir da diplomacia portuguesa - Isabel Baltazar, FCSH-UNL
- L’universalità di Roma. A ideia de Europa e as tentativas de constituição duma internacional fascista - Mario Ivani, IHC, FCSH-UNL
16h30-16h45 Pausa / Pause
Moderação: Teresa Nunes, FL-UL e IHC, FCSH-UNL
- O fascismo italiano e os jornalistas portugueses: Os casos de Augusto de Castro, Homem Cristo Filho, António Ferro e João de Castro Osório - Clara Isabel Serrano, CEIS20 – Universidade de Coimbra
- Contribution of British West African Colonies to British Reconstruction in the Inter-war Period - Fewzi Borsali, University of Adrar, Algeria
- Anti-semitismo em Portugal: João Lúcio de Azevedo e Gilberto Freyre - Ana Rita Veleda Oliveira, FL-UC/CES – Universidade de Coimbra
15h00-17h00 História e Memória | Sala multiusos 3
Moderação: Isabel Maria Freitas Valente, CEIS20 – Universidade de Coimbra
- Médicos milicianos portugueses nos palcos da grande guerra - Francisco Miguel Araújo, CITCEM, Faculdade de Letras da Universidade do Porto
- Uma “epopeia maldita” da “tropa d’África”? Memórias da Grande Guerra sobre Além-mar - Sérgio Neto, CEIS20 – Universidade de Coimbra
- Jünger e Haffner: Contradições e ambiguidades nas Memórias Alemãs da I Guerra Mundial - Marisa Fernandes, ISCSP-UL
- A espanhola polaquizada - Sofía Casanova Lutosławska, a testemunha da história da Europa entre Guerras - Anna Olchówka, Universidade de Wroclaw, Poland
- Um Olhar Singular: Mundividência do jovem Marcelo Caetano antes do conflito e do poder – 1929-1939 - Márcio Barbosa, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
4 de Abril / April 4
09h00-10h15 Regimes políticos, religião e autoritarismo | Sala multiusos 2
Moderação: Alice Cunha, IHC, FCSH-UNL
- Religion and Politics: Revisiting the Origins of Political Regimes in Western Europe, 1870s-1930s - Tiago Fernandes, Departamento Estudos Políticos – Universidade Nova de Lisboa
- Religião e Política Entre Guerras. Existência e fim do Centro Católico Português (CCP): uma releitura da sua evolução histórica (1919-1940) - Paula Borges Santos, IHC, FCSH-UNL
- Cunha Leal e os regimes totalitários nos anos 30 - Júlio Rodrigues da Silva, FCSH-UNL
10h15-10h30 Pausa/ pause
10h30-12h00 Espanha entre guerras | Sala multiusos 2
Moderação: Ruben Serem, IHC, FCSH-UNL
- The Phenomenology and Logic of Revolutionary Violence: Andalusia during the ‘Bolshevik Triennium’, 1918-1920 - James Matthews, University College Dublin, Ireland
- The Catalan Autonomist project of 1919 and its failure - Àngels Carles-Pomar, Universitat Pompeu Fabra, España
- Spanish socialism within republican democracy. Reformism and radicalization from a regional perspective (1931-1936) - Sergio Valero Gómez, University of Valencia, España
- A ditadura portuguesa vista pela II república espanhola - Tiago Tadeu, CEIS20 – Universidade de Coimbra
09h-12h00 Vencer a guerra, ganhar a paz | Sala multiusos 3
Moderação: Ana Paula Pires, IHC, FCSH-UNL
- Guerra à ciência em tempo de paz (1918-1939) - Cláudia Ninhos, IHC, FCSH-UNL
- Entre Nova Iorque e Berlim: mapeamento do campo da educação comparada na Europa entre-guerras - Luís Grosso Correia, Universidade do Porto
- Espaços e representações culturais e científicas numa geração europeizada ou os bolseiros no estrangeiro da Junta de Educação Nacional (1929/36) - Quintino Lopes, CEHFCi – Universidade de Évora
10h15-10h30 Pausa/ Pause
Moderação: Aniceto Afonso, IHC, FCSH-UNL
- A Visão da “Guerra Total” no Pensamento Militar Português - António Paulo Duarte, Instituto da Defesa Nacional/IHC
- A Inovação Militar no período entre guerras e o início da II Guerra Mundial - Luís Barroso, Instituto de Estudos Superiores Militares
- Os Açores entre Guerras (1919-1939) - Sérgio Rezendes, Universidade dos Açores
- Mustafa Kemal Atatürk e o Processo de Modernização da Turquia (1923-1938) - João Nobre, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Fonte: II Encontro Anual A Europa no Mundo - A Europa entre Guerras (1919 - 1939)
domingo, 9 de março de 2014
O horror do gás
![]() |
| "Gassed", de John Singer Sargent, representa as consequências de um ataque de gás mostarda na I Guerra |
Entre tantas outras novidades, a I Guerra apresentou também ao mundo o horror da guerra química moderna em larga escala: o inimigo invisível que fez razias nos campos de batalha europeus e marcou todos os que passaram pelas trincheiras. A utilização de gases e venenos na guerra é uma prática milenar* e nas décadas que antecederam 1914 já tinham sido assinados vários acordos limitando ou proibindo a sua aplicação militar, a Grande Guerra, no entanto, constituiu a oportunidade ideal para os generais testarem o método em doses industriais, tendo em conta sobretudo as características de imobilidade da própria guerra de trincheiras que imperou nos teatros de operação europeus.
Gás lacrimogénio, gás mostarda (gás amarelado que queimava a pele e causava danos irreparáveis nos pulmões), ou agentes químicos letais como o fosgénio e o cloro, tornaram-se nomes terrivelmente familiares naquela altura. Estima-se que as armas químicas mataram ou feriram cerca de 1.3 milhões de pessoas, incluindo dezenas de milhares de civis desprotegidos das zonas gaseadas. Estas armas químicas foram primeiro utilizadas nas trincheiras pelo exército francês (gás lacrimogénio) e os alemães não tardaram a responder com a utilização maciça de cloro. No início limitavam-se a abrir barris de cloro, que espalhavam ao sabor do vento, quando este soprava na direção do inimigo, mas cedo ambos os lados aprenderam a adaptar obuses de artilharia, carregando-os de fosgénio ou de outro tóxico qualquer, desencadeando uma corrida frenética de desenvolvimento de métodos de matar com gás.
![]() |
| "Wounded Soldier", de Otto Dix, pintor e soldado alemão da I Guerra (1891 - 1969) |
Ao mesmo tempo, embora mais lentamente, foram também sendo desenvolvidos aparatos de defesa pessoal e surgiram as primeiras máscaras com filtros muito rudimentares, mas nos primeiros anos de guerra a esmagadora maioria dos soldados e das populações estavam completamente desprotegidos, não sendo raro embeber lenços em urina (a amónia da urina neutralizava em parte os efeitos do cloro).
Mas a devastação da guerra química moderna foi brutal e a sua própria natureza insidiosa, contrária a uma prática bélica minimamente ética, acabou por levar a uma das mais positivas consequências do conflito, o Protocolo de Genebra, firmado em 1925, que bania completamente as armas químicas ou biológicas. O tratado foi quebrado diversas vezes no século XX - na II Guerra ou na guerra Irão-Iraque, por exemplo -, mas tornou-se um compasso ético internacional para a maioria das forças armadas convencionais do mundo.
O horror da guerra química em larga escala ficou também plasmado na arte e na literatura. Um exemplo dos mais marcantes é o poema Dulce et Decorum Est, de Wilfred Owen, considerado o grande poeta inglês da I Guerra:
Bent double, like old beggars under sacks,
Knock-kneed, coughing like hags, we cursed through sludge,
Till on the haunting flares we turned our backs;
And towards our distant rest began to trudge.;
Men marched asleep. Many had lost their boots;
But limped on, blood-shod. All went lame; all blind;
Drunk with fatigue; deaf even to the hoots
Of tired, outstripped Five-Nines that dropped behind.
Gas! Gas! Quick, boys! – An ecstasy of fumbling,
Fitting the clumsy helmets just in time;
But someone still was yelling out and stumbling,
And flound'ring like a man in fire or lime...
Dim, through the misty panes and thick green light,
As under a green sea, I saw him drowning.
In all my dreams, before my helpless sight,
He plunges at me, guttering, choking, drowning.
If in some smothering dreams you too could pace
Behind the wagon that we flung him in,
And watch the white eyes writhing in his face,
His hanging face, like a devil's sick of sin;
If you could hear, at every jolt, the blood
Come gargling from the froth-corrupted lungs,
Obscene as cancer, bitter as the cud
Of vile, incurable sores on innocent tongues,
My friend, you would not tell with such high zest
To children ardent for some desperate glory,
The old Lie; Dulce et Decorum est
Pro patria mori.
Wilfred Owen (8 October 1917 - March, 1918)
* Embora haja registos mais antigos no Oriente (sobretudo na China) um dos primeiros registos históricos da utilização bélica de gás tóxico no mundo ocidental remonta à Guerra do Peloponeso, entre Esparta e Atenas, no século V a.C.. Fazendo cerco a uma cidade ateniense, os espartanos queimaram pilhas de madeira, resina e enxofre, junto às muralhas da cidade sitiada.
Reaproximações e desmistificações. Associação de Setúbal promove aproximação à Alemanha em tempo de Centenário
Inscrições abertas - intercâmbio na Alemanha assinala centenário da I Guerra Mundial
No ano em que se começa a assinalar o centenário da Primeira Guerra Mundial, a associação cultural e juvenil Experimentáculo, de Setúbal, promove um intercâmbio sobre o assunto. Deste modo, «estão abertas inscrições para 10 jovens, dos 15 aos 30 anos, que gostem de história, queiram conhecer novas pessoas, descobrir uma cultura diferente e adquirir novas competências pessoais e profissionais».
O projeto vai decorrer entre 13 e 23 de Abril, na cidade alemã de Oldenburg e reunirá 45 jovens de Portugal, Alemanha e França. A participação custa 150 euros e «contempla a viagem, a estadia, a alimentação e todas as actividades previstas no programa: workshops, visitas, encontros, etc». As inscrições podem ser efectuadas através do email experimentaculo@gmail.com ou do telefone 964724671.
Subscrever:
Mensagens (Atom)








_-_Gassed_-_Google_Art_Project.jpg)
