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terça-feira, 8 de março de 2016

Seminário Internacional: “Entradas na Guerra. A Entrada de Pequenas e Médias Potências na I Guerra Mundial”

O Instituto da Defesa Nacional vai realizar no dia 30 de março de 2016, entre as 10h00 e as 16h30, o Seminário Internacional “Entradas na Guerra. A Entrada de Pequenas e Médias Potências na I Guerra Mundial”. 


A conferência de abertura tem como conferencista a Professora Annika Mombauer, da Open University (United Kingdom). O Seminário Internacional contará com dois painéis, sendo o primeiro dedicado à entrada e à participação de pequenas potências na 1ª Guerra Mundial (Bélgica, Bulgária e Grécia); e o segundo relativo às diversas “entradas” de Portugal no conflito (diplomática, económica, africana e europeia).



O Seminário Internacional “Entradas na Guerra. A Entrada de Pequenas e Médias Potências na I Guerra Mundial” terá lugar no Auditório 1 do Instituto da Defesa Nacional, com videoconferência para as instalações do instituto no Porto.



O seminário visa analisar o quadro internacional do primeiro conflito mundial, principalmente no que respeita à posição das pequenas potências, e enquadrar a situação de Portugal nessa época. Este evento insere-se no projeto de investigação “Pensar Estrategicamente Portugal: A Inserção Internacional das Pequenas e Médias Potências e a Primeira Guerra Mundial”, atualmente desenvolvido pelo Instituto da Defesa Nacional, e que conta com a parceria do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.



O projeto de investigação, em que se insere este seminário, conta com o apoio da Comissão Coordenadora das Evocações do Centenário da I Guerra Mundial.


Mais informação aqui

Uma excelente entrevista com a historiadora Ana Paula Pires

Portugal oficialmente entrou na Primeira Guerra Mundial a 9 de março de 1916. O que aconteceu nessa data?

Aconteceu a declaração de guerra da Alemanha, na sequência da apreensão dos navios de guerra alemães e austríacos que estavam fundeados em portos portugueses desde a entrada da Alemanha na guerra. Portugal resolveu nessa altura, face às dificuldades que tinha nos abastecimentos e no transporte, tomar para si os navios.

É Portugal, então, que tem a ação que desencadeou a guerra?

Sim. Mas é uma iniciativa escudada pela Grã-Bretanha. Portugal já vinha sendo pressionado desde 1915 no sentido de tomar esses navios. Temos de olhar para o cenário de guerra internacional e era uma altura em que os aliados estavam numa situação complicada na Flandres.

Portugal estava a ser pressionado pelo velho aliado a entrar na guerra?

Não tanto a entrar na guerra. Era mais para requisitar os navios. Porque no íntimo da diplomacia britânica nunca se pensou que essa tomada de navios pudesse dar numa declaração de guerra.
Contudo, Portugal já tinha combatido a Alemanha em África.
Esse é um cenário pouco conhecido e faz impressão às pessoas perceber como é que nós só entrámos na guerra em 1916 se já tínhamos tropas a combater em África. Uma das preocupações da diplomacia republicana foi salvaguardar o património colonial. Há um envio de tropas logo em setembro de 1914.

Estamos a falar do Sul de Angola e do Norte de Moçambique, fronteiriços com colónias alemãs…

Exatamente.

Os alemães tinham atacado em África?

Não, o que aconteceu foi uma coisa bastante paradigmática e exemplificativa daquilo que foi a política portuguesa. Portugal é o único país envolvido na guerra que tem nesta fase inicial uma declaração de não neutralidade e não beligerância. Portanto não é neutral nem é beligerante. A pedido da aliança britânica, Portugal tinha tido este estatuto ambíguo. Logo nesses meses são enviados militares para Angola e Moçambique porque os territórios, ainda antes da declaração de guerra, já tinham sido alvo de cobiça e de disputa por parte da Grã-Bretanha e da Alemanha. Portanto, o governo português percebeu rapidamente que, se a guerra alastrasse às colónias, os territórios poderiam estar em perigo.

Continua aqui

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Congresso Internacional Portugal na Grande Guerra. Chamada de Comunicações

8, 9 e 10 de março de 2016 em Coimbra

«No ano em que se assinala o centenário da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, de 9 de março de 1916, importa estudar, refletir e debater as consequências da participação, na política interna e externa, do Exército e da Marinha de Portugal no primeiro conflito militar à escala mundial (1914 e 1918). A paz alcançada na Conferência de Versalhes em 1919 traduziu-se, no ano seguinte, na criação da Sociedade das Nações e, consequentemente, na criação de uma nova ordem
internacional.

É inserido no programa nacional da Evocação do Centenário da I Guerra Mundial que se
realiza nas instalações da Brigada de Intervenção, em Coimbra, o Congresso Internacional
Portugal na Grande Guerra, a 8, 9 e 10 de março de 2016, uma organização conjunta do Centro
de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra - CEIS20 e da Comissão
Coordenadora da Evocação do Centenário da I Guerra Mundial que pretende fazer um balanço
científico e historiográfico em torno dos seguintes eixos temáticos:

1 - As campanhas militares em África
2 - A participação na guerra europeia
3 - A política externa portuguesa e a nova ordem internacional (...)»

Toda a informação aqui.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Uma guerra sem (poderes) inocentes

A Temas&Debates e o Círculo de Leitores, como já aqui foi referido neste blogue, colocaram já no mercado livreiro português a última obra da historiadora canadiana Margaret MacMillan - bisneta do primeiro-ministro britânico à altura da I Guerra, David Lloyd George -, um livro que tem dado muito que falar e que tem marcado o tom no sentido de uma nova leitura em relação à I Guerra e sobretudo às suas causas mais imediatas. A "culpa", como se perceberá, é bem mais disseminada do que parece e os alemães não são, definitivamente, os únicos "maus" de uma "fita" em que é difícil encontrar inocentes...

Segundo a autora de «A Guerra que acabou com a Paz», que passa a pente fino os catorze anos que precederam o conflito e transcende o habitual maniqueismo anti-germânico, «Parece-me que a maior responsabilidade é imputável à determinação insensata da Áustria-Hungria em destruir a Sérvia em 1914, à decisão da Alemanha no sentido de a apoiar totalmente e à impaciência da Rússia por mobilizar". No mesmo parágrafo, a autora defende ainda que a França e a Grã-Bretanha não desejavam a Guerra, «embora seja possível afirmar que poderiam ter-se esforçado mais para a impedir (...)». Continua aqui: Margaret MacMillan explica como a Europa começou a I Guerra Mundial | Cultura | Diário Digital

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Onde tudo começou. A Sérvia e as memórias no olho do furacão

Com um singelo telegrama, umas linhas telegráficas, declarou o Império Austro-Hungaro guerra à Sérvia em forma de ultimato impossível - e que o governo sérvio recusou. E assim, com esta aparente displicência, se deu o tiro de partida para uma das maiores tragédias da humanidade - em rigor, o segundo tiro de partida, já que o primeiro tinha sido dado pelo anarquista radical sérvio Gavrilo Princip, ao assassinar o herdeiro do trono dos Habsburgo, dinastia reinante em Viena. Seja como for, os sérvios também não esquecem e, tal como os alemães (e todos os envolvidos, de resto...), recusam ser o bode expiatório da guerra. Assim, entre outras iniciativas, Belgrado acaba de ser inaugurada a exposição "A Primeira Guerra Mundial nos documentos do Arquivo da Sérvia", onde se reflete a sua visão dos factos. Ler aqui: A guerra que começou com um telegrama - EXAME.com

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A Rússia na véspera da Guerra

«Em 2014, a população russa comemora centésimo aniversário do início da Primeira Guerra Mundial. Como o país passou os primeiros sete meses do ano antes do começo das atividades militares? O historiador Lev Lurie responde a esta pergunta.(...).». Continua aqui A vida na Rússia antes da Primeira Guerra Mundial | Gazeta Russa

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A Índia e a memória relutante das colónias. A I Guerra como conflito de impérios coloniais

Num dos anteriores posts, falámos (ainda que ao de leve) na Nova Zelândia. A I Guerra, sendo Mundial (sim, ainda há quem ache que não foi), envolveu tropas de países de todos os continentes, não só por via de um cenário intrincado de alianças entre nações soberanas, mas também porque a I Guerra foi sobretudo um conflito entre potências coloniais, que mobilizaram todas as suas possessões imperiais para o esforço de guerra. 

Soldados indianos na Batalha do Somme, em julho de 1916.
Foto da coleção do Imperial War Museums (fonte)
Isto significa, por exemplo, que a Grã Bretanha tenha recorrido a contingentes ultramarinos dos quatro cantos do seu Império: Nova Zelândia, Austrália, Canadá, África do Sul e, com grande destaque em termos de tropas e baixas, a Índia. Em muitos aspetos estes países eram já autónomos, mas de uma forma ou de outra pertenciam à esfera de influência britânica, que mantinha controle, por exemplo, das respetivas políticas externas. Ainda hoje se mantêm nessa esfera de influência, constituindo a espinha dorsal da Commonwealth. Mas, sendo colónias, a sua importância não pode ser subestimada.

O caráter "imperial" desta singular guerra fica também patente, naturalmente, no envolvimento das principais colónias africanas portuguesas, Moçambique e Angola. Estes territórios foram palco de muitas batalhas e escaramuças com as forças alemãs, que procuravam manter e expandir as suas possessões africanas, sobretudo o Tanganica e o Sudoeste Africano - sendo de referir que Portugal também não se fez rogado na tentativa de manter e expandir, abrindo hostilidades no norte de Moçambique, com uma incursão ao Tanganica. Do lado português, estima-se que combateram cerca de 12 mil soldados africanos indígenas*: «O contingente português atingiu números próximos dos 20000 homens, entre as forças desembarcadas e o recrutamento local, com um efectivo, grosso modo , de 12000 africanos (12) sem contabilizar os aproximadamente 90000 carregadores (13).» (fonte)

O caso da Índia é particularmente importante no quadro global da guerra, quanto mais não seja, pela escala das forças nativas utilizadas e pela dimensão das baixas. E neste caso, ao contrário dos africanos sob domínio português, que serviram o exército português nos seus territórios natais, as tropas indianas serviram em locais tão distantes e inóspitos como o Médio Oriente e a Turquia (sobretudo no célebre estreito de Dardanelos, palco da desastrosa Campanha de Galípoli) contra o Império Otomano, bem como no Egito, África Oriental e nas trincheiras geladas e lamacentas do Norte da Europa. No total, cerca de um milhão e trezentos mil indianos foram mobilizados para o esforço de guerra e as Forças Expedicionárias Índianas sofreriam 74187 baixas mortais, a que se somam mais de 69 mil feridos (a Wikipedia refere um número ligeiramente inferior de feridos).

E no entanto, sendo este um episódio marcante da sua História recente, os indianos parecem não querer falar muito acerca do tema. Tema que em círculos nacionalistas é até algo embaraçoso. Do que tenho percebido, de resto, é um traço comum às ex-colónias ultramarinas, sejam portuguesas, sejam inglesas ou francesas: à exceção das ex-colónias com população de origem europeia/branca - Nova Zelândia, Canadá ou Austrália, que celebram e estudam com grande solenidade a sua participação neste conflito - a I Guerra é regra geral uma memória reprimida. Dá a ideia de que, para africanos ou asiáticos, a I Guerra foi um assunto de brancos, para o qual foram arrastados sem honra nem vontade. A I Guerra está, assim, intimamente associada a um passado de subjugação colonial, que não atrai as novas gerações, muito menos os espíritos mais nacionalistas.

O caso da Índia será, desta forma, paradigmático, não andando muito longe, julgamos, do que se poderia dizer hoje em dia acerca de Angola ou Moçambique - numa breve pesquisa, não encontrei, nem num nem noutro país, qualquer menção ao centenário da Guerra ou a eventuais eventos que o recordem, ou sequer homenagens aos soldados africanos mortos no conflito, é o silêncio absoluto. Em relação à Índia, então, como é sublinhado no artigo do The Times of India abaixo linkado: «For a hundred years, the story of this force had been nearly forgotten — the narrative of World War I has so far been predominantly white. The Indian story had to be told because it rarely happens that one nation's war is fought by another's armies. But not only did Britain downplay the contribution of these men but India, too, chose to ignore them. In fact, the nationalist voices in free India actively disowned parts of this history.(...)».

E no entanto, as coisas parecem estar a mudar, pelo menos na Índia, que recomeça a interessar-se por este evento brutal da sua história, e começa a investigar e a organizar de forma séria os arquivos dessas datas. Sobretudo pela mão do Centre for Armed Forces Historical Research, em Nova Deli, ou por instituições inglesas como o Brighton Museum & Art Gallery.

Soldado moçambicano da I Guerra Mundial (fonte)
«Sadly, when the survivors returned home, no hero's welcome awaited them. India had given full military, political and economic support (the country had gifted 100 million pounds to fund the war) to Britain anticipating dominion status and home rule in return. But once the war ended, the British were in no hurry to appease India. So, the returning army seemed to Indians like the Empire's instrument of oppression. But now, there is hope that the Indian soldier will get his due place in history.»

No contexto do mundo lusófono, será então curioso perceber o que é que Angola e Moçambique estão fazer (ou não) relativamente à memória da sua participação na I Guerra Mundial, e tendo em conta o pesado balanço - «(...) Mas o teatro de guerra em África foi o mais mortífero para os portugueses - 4811 militares morreram em Moçambique. No rescaldo da Grande Guerra, entre mortos, feridos e desaparecidos "36% dos mobilizados foram baixas", sublinha o tenente-general Mário de Oliveira Cardoso.» (fonte). 

Muitas daquelas baixas foram certamente soldados e carregadores locais, que constituíam grande parte das forças sob comando português, sobretudo oriundas de Moçambique, formadas em Companhias Indígenas Expedicionárias que foram também enviadas para Angola, Timor e Índia. Em tempo de centenário, e apesar de constituir uma memória exógena (anterior à nacionalidade), será, em suma, que o soldado africano, espécie de "carne para canhão" esquecida, também merecerá o seu «due place in history?»...


World War I, the India story retold - Times Of India


*A este respeito há algumas discrepâncias entre fontes, sendo que de acordo com números da História da Primeira República Portuguesa, a I Guerra em África envolveu ao longo dos quatro anos, cerca de 30 mil efetivos portugueses, mais de 10 mil dos quais nativos africanos. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Nem tudo foi mau?...


E eis uma perspetiva, digamos, curiosa, acerca da I Guerra. Designadamente do seu impacto no futuro. E falamos aqui de impacto positivo. Sim, positivo. Porque até no lodo nascem flores... Assim, em altura de centenário, o popular site neozelandês* Listverse, apresenta uma lista de dez benefícios que a Grande Guerra impulsionou ou gerou. E não, não foi só na área da tecnologia militar... A ver:
  • Cirurgia plástica
  • Psiquiatria
  • As Nações Unidas
  • A afirmação dos Estados Unidos da América**
  • Aviação
  • Proibição de Armas Químicas
  • Transfusões de sangue
  • Poesia e arte
  • Direitos das Mulheres
  • Disseminação da Democracia


* É de referir, já agora, que esta foi uma guerra mundial, não só porque se combateu em mares e continentes distantes, mas também porque envolveu tropas de muitos países dos quatro cantos do mundo. Um deles foi precisamente a Nova Zelândia, aliado natural da Grã Bretanha (de cujo império formalmente ainda fazia parte), que participou no esforço de guerra com cerca de cem mil homens! Incluindo mais de dois mil maoris. O saldo foi bem mais severo, de resto, para os neo zelandeses do que para Portugal, país europeu e mais próximo do epicentro da ação. Com uma população de apenas um milhão de pessoas em 1914, o pequeno arquipélago vizinho da Austrália, sofreu 18500 mortos e cerca de 40 mil feridos, em cenários tão distantes como o Somme (Norte de França) ou Galipoli (Turquia). O sacrifício neo zelândes, de resto, ainda hoje é encarado como um momento histórico de charneira para a entrada do país no Concerto das Nações.

** Antes da I Guerra, os EUA eram um país praticamente irrelevante no panorama global, ao ponto de os alemães descreverem com displicência o seu poderio militar como estando algures «entre a Bélgica e Portugal»... Com a destruição das potências continentais (Alemanha, Inglaterra, França, Rússia, Áustria-Húngria, Itália), o início do desmembramento dos impérios coloniais, aliado à dinâmica industrial que a guerra imprimiu à economia norte americana, os Estados Unidos surgiram finalmente como a potência internacional incontornável que ainda é hoje, poderio que seria determinante, por exemplo, vinte anos mais tarde na derrota do III Reich.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A maior catástrofe que o mundo já viu e a questão da culpa. Quem foi responsável pela guerra? Um texto importante. Novos livros.

«June 28, 1914, Sarajevo, Bosnia. The Archduke Franz Ferdinand, heir to the multinational Habsburg realms, resplendent in the dress uniform of an Austrian cavalry general, but also absurd in his plumed headdress, was shot at close range by Gavrilo Princip, a local student dropout obsessed with the Serbian national cause. Sarajevo was one of history’s most purple passages: there was the drama of bungled security and hamfisted conspiracy; spectacle and gore; the play of intention and chance; the clash of generations and civilizations, of the old monarchical Europe and the modern terrorist cell. 

But of course the Sarajevo assassination captivates posterity for its consequences. Piqued in its prestige and fearful of the threat to its status as a great power by subversion fanned from Serbia, the Austro-Hungarian government delivered an ultimatum to its obstreperous little Balkan neighbor, demanding a say in the management of its internal affairs. 

Russia stepped in to protect its Serbian clients; the Germans supported their Austrian allies; the French marched to fulfill their treaty obligations to Russia; Great Britain honored its commitment to come to the aid of France. Within five weeks a great war had broken out. At the very least, this is a gripping tale. Sean McMeekin’s chronicle of these weeks in July 1914: Countdown to War is almost impossible to put down.

Thus was unleashed the calamitous conflict that, more than any other series of events, has shaped the world ever since; without it we can doubt that communism would have taken hold in Russia, fascism in Italy, and Nazism in Germany, or that global empires would have disintegrated so rapidly and so chaotically. A century on we still search for its causes, and very often, if possible, for people to blame. In the immediate aftermath of war that seemed clear to many: Germany, and especially its leaders, had been responsible; the Austrians too, as accomplices, in lesser degree. The Treaty of Versailles made this official, as the victorious powers there spoke of a “war imposed upon them by the aggression of Germany and her allies.” This was the notorious guilt clause used to justify severe “reparation” payments stretching far into the future. It was a widespread view, and ordinary Germans might have shared it if the vanquishers had not gone for the premise of collective responsibility, which undermined attempts to build a fresh German regime untainted by the past. (...).»

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

"A I Guerra Mundial seria hoje impossível na Europa" - Globo - DN

«Para compreender a Primeira Guerra Mundial é preciso entrecruzar três tempos: o tempo longo das rivalidades entre as grandes potências desde há muitas décadas na Europa, o tempo médio das tensões entre o início do século e 1914 (crise bosníaca, crises marroquinas, guerras nos Balcãs...) e a corrida às armas associadas àquelas e o tempo curto da crise do verão de 1914. É o conjunto destes três tempos que permite entender o conflito.(...)». Continua aqui: "A I Guerra Mundial seria hoje impossível na Europa" - Globo - DN

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A Primeira Guerra Mundial. Uma conferência em Lisboa

«O que foi a Primeira Guerra Mundial, quais as suas causas e como foi vivida pelos milhões de pessoas que, diretamente nas trincheiras, ou na retaguarda foram afetadas, é o tema amanhã em discussão no Instituto Francês em Portugal, em Lisboa, a partir das 19.00. Participam o antigo ministro e professor Nuno Severiano Teixeira e o académico e investigador francês Nicolas Offenstadt. 

A iniciativa insere-se num programa mais vasto de iniciativas que visam assinalar os cem anos do início da Primeira Guerra Mundial (28 julho de 1914-11 de novembro de 1918) e traz a Lisboa um dos mais relevantes investigadores franceses do tema, Nicolas Offenstadt, que publicou recentemente "La Grande Guerra. Le Carnet du Centenaire".(...)». Continua aqui: Revisitar a Primeira Guerra Mundial - Globo - DN

domingo, 26 de janeiro de 2014

A I Guerra no Público. Um dossier imperdível

O jornal Público presenteia-nos, na edição de hoje, com um excelente dossier especial de oito páginas, sobre Portugal e a I Grande Guerra, de que daremos eco mais detalhado a seu tempo. Para já, vale a pena ler o artigo principal de Jorge Almeida Fernandes:

«Quando a Europa comemorou em 1994 os 80 anos da eclosão da Grande Guerra de 1914-18, fê-lo num estado de espírito muito particular — o da despedida do trágico século XX. Com o fim da União Soviética, encerrava-se uma era. A construção europeia acelerava-se e a UE preparava a integração do Leste, reunificando o Continente. Dominava a pax americana. Fukuyama publicava O Fim da História. Admitia-se uma “globalização feliz”. Apenas o regresso da palavra Sarajevo e a irrupção dos nacionalismos trazia alguma perturbação. Mas, sobretudo, tiravam-se as lições do “suicídio” de 1914 — um facto já muito distante. (...)». Continua aqui: Que podemos aprender hoje com a Europa de 1914? - PÚBLICO

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Prefácio. Introdução a uma guerra e a um blogue

Todas as guerras são estúpidas. Mas há, certamente, umas mais estúpidas do que outras. A I Guerra Mundial foi particularmente estúpida. Sendo amador de História da Guerra, disciplina mui nobre no catálogo das especialidades historiográficas e conhecendo sem grande profundidade mas muito interesse e abrangência o primevo percurso bélico do homem, é isso que ressalta quanto mais estudo a Grande Guerra, como hoje, cem anos depois, ainda é conhecida, depois de uma segunda ainda mais devastadora. Isto é, a I Guerra Mundial tem a particularidade de juntar a escala gigantesca de morticínio a um elevado nível de incompetência, crueldade, sofrimento, teimosia e inconsequência.

No rescaldo da batalha de La Lys
A chamada Segunda Guerra Mundial foi, de facto, bem mais mortífera, e a Grande Guerra posiciona-se "apenas" no sexto lugar das guerras mais mortíferas da história da humanidade. Cem anos depois, no entanto, a "Grande Guerra" é a que decorreu entre 28 de julho de 1914 e 11 de novembro de 1918 entre os Impérios Centrais liderados pela Alemanha e os Aliados. Entre os Aliados, em grande medida graças à secular aliança com a Grã Bretanha, encontrou-se Portugal. Um país que dava os primeiros passos, tumultuosos e dolorosos, na democracia republicana instaurada em 1910. Democracia essa que faleceu jovem, em grande medida por causa da participação portuguesa na Grande Guerra.

Outra consequência de monta e médio prazo: A neutralidade que Salazar decretaria em 1939 tem raízes profundas nas memórias ainda frescas do sofrimento sem precedentes da I Guerra Mundial. Sofrimento direto das mortes em combate (cerca de sete mil, segundo as melhores estimativas, a maioria em África) e em jeito de fome e miséria, que varreram o país nos anos da guerra e subsequentes, e a que se juntou o quarto cavaleiro do apocalipse, o da peste: a devastação que a I Guerra provocou na Europa preparou também terreno mais que fértil para uma pandemia terrível de gripe espanhola, logo em 1918. Surto que em Portugal reclamou entre 120 a 140 mil mortes. No mundo, estima-se que tenha morto até 40 milhões de seres humanos. A gripe foi como que a cereja macabra em cima do bolo de violência sem sentido aparente da Grande Guerra. Dizemos sem sentido aparente porque, ao contrário de outras guerras, como a II GM, onde se divisa um sentido (que seria para os Aliados, por exemplo, a aniquiliação do grotesco nazismo expansionista), a I Guerra perde o sentido em muitos aspetos, a começar pelos contendores relutantes...

O processo que levou ao desencadear da Guerra não foi o impulso agressivo de um ditador, uma vontade expansionista, ou uma necessidade de anexar recursos e território; não foi sequer o coração de uma mulher, razões mais tradicionais para uma guerra. Foi o resultado irrestível de uma série de acontecimentos, intrígas, mobilizações e ações defensivas. O menino foi feito na Sérvia, o pai era um anarquista sérvio com a mania das grandezas chamado Gavrilo Princip e a mãe era a fanília real do Império Austro-Húngaro, que arrastou para a cerimónia os padrinhos:  a Alemanha, de um lado, e os Aliados, do outro, apadrinharam a criança mais tarde, embora sem grande entusiasmo*. Era uma Guerra que ninguém queria, um filho enjeitado que todos se viram obrigados a abraçar.

Outra característica estúpida desta Guerra prende-se depois com a própria natureza da progressão (isto é, falta dela) dos exércitos no terreno. Disputada principalmente por potênciais coloniais europeias - sendo a Alemanha um dos mais recentes membros do clube dos países com territórios ultramarinos, para desgosto de colonialistas instalados e dominantes como a Grã Bretanha -, a I Guerra foi também o primeiro conflito de larga escala altamente mecanizado. Foi como tal também um terreno de eleição para testar a capacidade dos novos e terríveis sistemas de artilharia, aviões, couraçados, gás, submarinos, blindados e outros armamentos com um poder de fogo nunca antes visto. Esta capacidade mútua destrutiva conduziu ao impasse brutal da guerra das trincheiras na Europa, que as cúpulas militares obstinadamente mantinham e as cúpulas políticas eram incapazes de resolver. Um desgaste lento e genocida que se arrastou por quatro anos que mudaram o mundo.

Por tudo isto e muito mais: recordemos e aprendamos. Este blogue pretende ser, enfim, um contributo para essa aprendizagem e uma fonte de recurssos para quem queira saber mais acerca de Portugal na Grande Guerra.


* Mais recente trabalho de investigação e reflexão histórica tem produzido uma certa recalibragem da "narrativa" a que estávamos habituados relativamente à I Guerra, nomeadamente a que diz respeito à responsabilidade da Alemanha no conflito, estando a inverter-se a habitual perspetiva de demonização germânica. A questão está longe de ser simples e as responsabilidades (culpas) são bem mais disseminadas. Uma coisa é certa, o Kaiser não marchou entusiasmado para a guerra, procurou apaziguar a tensão entre os aliados austro-húngaros e a Rússia, potência aliada da Sérvia, e só mobilizou os seus exércitos depois da Aústria-Hungria, a Rússia, a França e a Sérvia o terem feito. Há muitos mais pormenores ultimamente clarificados, que poderão ser objeto de análise neste blogue mas, em suma, isto para dizer que não há inocentes nesta história e que nem sequer foi uma guerra "justa". Foi um equívoco, que terminou num equívoco ainda maior chamado Tratado de Versailles.