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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Congresso Internacional Portugal na Grande Guerra. Chamada de Comunicações

8, 9 e 10 de março de 2016 em Coimbra

«No ano em que se assinala o centenário da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, de 9 de março de 1916, importa estudar, refletir e debater as consequências da participação, na política interna e externa, do Exército e da Marinha de Portugal no primeiro conflito militar à escala mundial (1914 e 1918). A paz alcançada na Conferência de Versalhes em 1919 traduziu-se, no ano seguinte, na criação da Sociedade das Nações e, consequentemente, na criação de uma nova ordem
internacional.

É inserido no programa nacional da Evocação do Centenário da I Guerra Mundial que se
realiza nas instalações da Brigada de Intervenção, em Coimbra, o Congresso Internacional
Portugal na Grande Guerra, a 8, 9 e 10 de março de 2016, uma organização conjunta do Centro
de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra - CEIS20 e da Comissão
Coordenadora da Evocação do Centenário da I Guerra Mundial que pretende fazer um balanço
científico e historiográfico em torno dos seguintes eixos temáticos:

1 - As campanhas militares em África
2 - A participação na guerra europeia
3 - A política externa portuguesa e a nova ordem internacional (...)»

Toda a informação aqui.

domingo, 30 de março de 2014

"A Europa entre Guerras". Uma jornada de reflexão e debate em Lisboa

3 e 4 de Abril de 2014 
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ UNL 
Edifício I&D, Piso 4, Salas Multiusos 2 e 3
Entrada livre

Mais informações em http://europebetweentheworldwars.wordpress.com 

Programa 

09h30-10h00 Recepção aos participantes/ Registration 

10h00-11h00 Conferência de abertura/ Lecture | Sala multiusos 2
Coming out from wars. Europe in post World Wars - Patrizia Dogliani, Università di Bologna

11h00-13h00 Nacionalismo e internacionalismo | Sala multiusos 2
Moderação: Maria Fernanda Rollo, FCSH e IHC, FCSH-UNL

  • Winners in the war, defeated in peace. The legacy of the Great War as laceration of Italian society: from the “two red years” to the reactionary drift of fascism (1919-1925) - Mauro Pellegrini, White War Museum – Temù, Italia 
  • The International Battle for Grain. Italy, the League of Nations and the struggle for regulating the production of wheat during the Great Depression - José Antonio Sánchez Román, Universidad Complutense de Madrid, España 
  • Nationalism and internationalism. The socialist Spanish intellectual elites and the discourses of the nation - Aurelio Martí Bataller, Universitat de València, España 
  • O Comintern e Portugal - João Arsénio Nunes, Instituto Universitário de Lisboa 


11h00-13h30 Espaços e representações culturais | Sala multiusos 3
Moderação: Carlos Vargas, IHC, FCSH-UNL

  • Conflito e compromisso no campo arquitectónico entre guerras - Joana Brites, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra The role of gardens and public parks in the reconstruction of cities destroyed by war: an overview - Ana Duarte Rodrigues, CHAM, FCSH-UNL 
  • A dança, uma arte em expansão entre Guerras - Maria João Castro, Instituto de História da Arte, FCSH-UNL 
  • Entre nacionalismo e autoritarismo: os discursos sobre a cultura musical em Portugal no período entre Guerras (1919-1939) - Luís Miguel Santos, CESEM, FCSH-UNL 
  • Spain and the International Institute of Intellectual Co-operation (1926-1939) - Diana Sanz Roig, Universitat Pompeu Fabra, España 
  • Nacionalismo desportivo entre guerras – as seleções como instrumento de unidade nacional - César Rodrigues, CEIS20 – Universidade de Coimbra 


13h30-15h00 Pausa para almoço/ Lunch

15h00-18h00 Pensamento e ideologias | Sala multiusos 2
Moderação: Maria Manuela Tavares Ribeiro, FL-UC e CEIS20 – Universidade de Coimbra

  • Politics beyond Liberalism? Max Weber’s Political Thought and the German Critical Juncture of 1917-1919 - Pedro T. Magalhães, CESNOVA, FCSH-NOVA 
  • Ideias federais na Europa entre guerras - José Gomes André, Universidade de Lisboa “Pela Paz”! A ideia de “Estados Unidos da Europa” entre guerras. Uma visão a partir da diplomacia portuguesa - Isabel Baltazar, FCSH-UNL 
  • L’universalità di Roma. A ideia de Europa e as tentativas de constituição duma internacional fascista - Mario Ivani, IHC, FCSH-UNL 


16h30-16h45 Pausa / Pause
Moderação: Teresa Nunes, FL-UL e IHC, FCSH-UNL

  • O fascismo italiano e os jornalistas portugueses: Os casos de Augusto de Castro, Homem Cristo Filho, António Ferro e João de Castro Osório - Clara Isabel Serrano, CEIS20 – Universidade de Coimbra
  • Contribution of British West African Colonies to British Reconstruction in the Inter-war Period - Fewzi Borsali, University of Adrar, Algeria 
  • Anti-semitismo em Portugal: João Lúcio de Azevedo e Gilberto Freyre - Ana Rita Veleda Oliveira, FL-UC/CES – Universidade de Coimbra 


15h00-17h00 História e Memória | Sala multiusos 3
Moderação: Isabel Maria Freitas Valente, CEIS20 – Universidade de Coimbra

  • Médicos milicianos portugueses nos palcos da grande guerra - Francisco Miguel Araújo, CITCEM, Faculdade de Letras da Universidade do Porto 
  • Uma “epopeia maldita” da “tropa d’África”? Memórias da Grande Guerra sobre Além-mar - Sérgio Neto, CEIS20 – Universidade de Coimbra 
  • Jünger e Haffner: Contradições e ambiguidades nas Memórias Alemãs da I Guerra Mundial - Marisa Fernandes, ISCSP-UL 
  • A espanhola polaquizada - Sofía Casanova Lutosławska, a testemunha da história da Europa entre Guerras - Anna Olchówka, Universidade de Wroclaw, Poland 
  • Um Olhar Singular: Mundividência do jovem Marcelo Caetano antes do conflito e do poder – 1929-1939 - Márcio Barbosa, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra 


4 de Abril / April 4 

09h00-10h15 Regimes políticos, religião e autoritarismo | Sala multiusos 2
Moderação: Alice Cunha, IHC, FCSH-UNL

  • Religion and Politics: Revisiting the Origins of Political Regimes in Western Europe, 1870s-1930s - Tiago Fernandes, Departamento Estudos Políticos – Universidade Nova de Lisboa 
  • Religião e Política Entre Guerras. Existência e fim do Centro Católico Português (CCP): uma releitura da sua evolução histórica (1919-1940) - Paula Borges Santos, IHC, FCSH-UNL 
  • Cunha Leal e os regimes totalitários nos anos 30 - Júlio Rodrigues da Silva, FCSH-UNL 


10h15-10h30 Pausa/ pause

10h30-12h00 Espanha entre guerras | Sala multiusos 2
Moderação: Ruben Serem, IHC, FCSH-UNL

  • The Phenomenology and Logic of Revolutionary Violence: Andalusia during the ‘Bolshevik Triennium’, 1918-1920 - James Matthews, University College Dublin, Ireland 
  • The Catalan Autonomist project of 1919 and its failure - Àngels Carles-Pomar, Universitat Pompeu Fabra, España 
  • Spanish socialism within republican democracy. Reformism and radicalization from a regional perspective (1931-1936) - Sergio Valero Gómez, University of Valencia, España 
  • A ditadura portuguesa vista pela II república espanhola - Tiago Tadeu, CEIS20 – Universidade de Coimbra  

09h-12h00 Vencer a guerra, ganhar a paz | Sala multiusos 3
Moderação: Ana Paula Pires, IHC, FCSH-UNL

  • Guerra à ciência em tempo de paz (1918-1939) - Cláudia Ninhos, IHC, FCSH-UNL 
  • Entre Nova Iorque e Berlim: mapeamento do campo da educação comparada na Europa entre-guerras - Luís Grosso Correia, Universidade do Porto 
  • Espaços e representações culturais e científicas numa geração europeizada ou os bolseiros no estrangeiro da Junta de Educação Nacional (1929/36) - Quintino Lopes, CEHFCi – Universidade de Évora 


10h15-10h30 Pausa/ Pause
Moderação: Aniceto Afonso, IHC, FCSH-UNL

  • A Visão da “Guerra Total” no Pensamento Militar Português - António Paulo Duarte, Instituto da Defesa Nacional/IHC 
  • A Inovação Militar no período entre guerras e o início da II Guerra Mundial - Luís Barroso, Instituto de Estudos Superiores Militares 
  • Os Açores entre Guerras (1919-1939) - Sérgio Rezendes, Universidade dos Açores 
  • Mustafa Kemal Atatürk e o Processo de Modernização da Turquia (1923-1938) - João Nobre, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra


Fonte:  II Encontro Anual A Europa no Mundo - A Europa entre Guerras (1919 - 1939)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

La Lys, ícone do desastre. Perspetivas críticas.

A Batalha de La Lys é, de todas as que marcaram a I Guerra Mundial, a que ficou mais profundamente gravada no imaginário português. No anterior post falou-se por alto de incompetência, e La Lys (designação do ribeiro belga perto do qual decorreu o confronto entre as divisões luso-britânicas e as tropas germânicas), embora não seja assim tão líquida a importância da incompetência para o desfecho trágico, é também um ícone da impreparação e ineficiência, quer do poder político em Lisboa, quer do Corpo Expedicionário Português (CEP), assolado já por doenças, deserções, falta de comando e um ambiente geral de grande desmoralização. 

Na madrugada do dia 9 de Abril de 1918, os alemães atacaram massivamente as posições portuguesas, chefiadas pelo General Gomes da Costa (com cerca de quinze mil soldados minimamente operacionais nas primeiras linhas), que foram rapidamente cilindradas pelo poderio vastamente superior do inimigo: «55 000 soldados do VI Exército alemão, agrupados em oito divisões sob o comando do general Ferdinand von Quast (1850-1934) atacaram, seguindo o plano da ofensiva que Erich Ludendorff concebeu com o objectivo de tomar Calais e Boulogne-sur-Mer» (fonte)

Prisioneiros portugueses do CEP num campo alemão, logo após a derrota de La Lys (imagem do Arquivo Federal Alemão, fonte)


A Wikipedia diz que esta batalha constituiu «a maior catástrofe militar portuguesa depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578» e não andará longe da verdade. O rescaldo da batalha registou do lado português cerca de 7500 baixas, entre mortos (cerca de mil, mais de 300 oficiais), feridos e prisioneiros*. Embora haja quem prefira destacar que as tropas portuguesas conseguiram resistir 24 horas ao assalto alemão, é inapelável que a derrota foi clamorosa e que só se salvou a heroicidade do Soldado Milhões. É certo e justo destacar, mesmo assim, que o desaíre português teve atenuantes, desde logo a inferioridade numérica e de capacidade de fogo avassaladora. Mas mesmo quem o realce, não esconde as fragilidades:


«(...) As tropas estavam em França, mas a desmoralização era enorme. O número de oficiais que se encontravam nas duas divisões portuguesas estava muito abaixo do minimo necessário. As tropas portuguesas estavam desenquadradas, e faltavam-lhes oficiais para enquadrar as tropas e comanda-las convenientemente. O conceito de carne para canhão, em que se enviam homens uns contra os outros, ainda era normalmente aceite.

Mas a baixa política e a irresponsabilidade dos políticos da Primeira República , não deixou de ensombrar as tropas. Depois de se enviar o CEP, não se sabia exactamente o que fazer com ele. Além disso, Portugal não tinha dinheiro para organizar as duas divisões e estas tiveram que ser armadas pela Inglaterra, e também não tinha navios para enviar tropas o que fazia o país depender da Inglaterra.

Por outro lado os militares Britânicos, e Franceses, também não sabiam como responder aos desafios da guerra moderna. Lutavam com as tácticas de Napoleão, que implicavam o combate a curta distância, mas viam-se perante a primeira guerra industrial do mundo. A solução foi a conhecida, uma guerra de desgaste, em que ganha quem ficar vivo no fim.

Muitos dos comandos das forças portuguesas, também pautavam pelo desleixo e pela falta de capacidade. Uma tropa analfabeta, comandada por um punhado de oficiais, grande parte deles sem qualificações e apenas medianamente alfabetizados. Oficiais crentes no valor do soldado português, mas sem entender que o mundo muda e que as guerras, já em 1918, estavam a ser ganhas pela capacidade industrial, e pela qualidade técnica dos comandos militares.». (in Área Militar)

Portugueses nas trincheiras da Flandres
Ainda na perspetiva crítica, e também em jeito de "provocação" para reflexão inquieta(nte), achamos pertinente reproduzir aqui um artigo interessante e bem escrito de Luís Bonifácio, intitulado «O desastre de La lys - Portugal na I Grande Guerra», publicado num website comemorativo do centenário da República e que traduz um pouco da fama infame de La Lys que perdura na memória nacional: 

«Há 91 anos os soldados e sargentos que se encontravam nas trincheiras da Flandres, desataram a correr assim que viram os soldados do Exército Imperial Alemão a meio da terra de ninguém. Os seus oficiais, aqueles que ainda não haviam desertado a coberto de uma qualquer licença, já haviam há muito abandonado os seus confortáveis quartéis.

Para trás ficaram 7 000 baixas, entre mortos, feridos e prisioneiros.

Ao fim do dia apenas restou a vergonha de todo um corpo de exército relegado para trabalhos braçais na retaguarda até ao dia 11 de Novembro.

O desastre de La lys não foi nenhuma novidade. Estava anunciado havia muito. Mais precisamente desde que, em 1916 o governo de Afonso Costa, acossado por todos os lados, declara guerra à Alemanha, na tentativa de inventar um inimigo externo que desviasse as atenções dos problemas internos.

Nesse dia ficou traçado o destino de milhares de Portugueses: um exército depauperado, comandado por oficiais incompetentes, cuja promoção dependia das simpatias políticas, iniciou em Tancos uma preparação para uma guerra inexistente, chamada pomposamente de “Milagre de Tancos”. Esse “Milagre”, vendido pelos jacobinos republicanos à opinião pública, como os milagres da Igreja do Reino de Deus, terminou assim que os membros do Corpo Expedicionário Português (CEP), cheios de Febre Tifóide desembarcaram em Brest, obrigando os aliados a confiná-los em quarentena afim de evitar uma epidemia catastrófica. O horror do aliados aumentou ainda mais, quando descobriram que todos os militares dos regimentos de metralhadoras, desconheciam em absoluto o funcionamento da metralhadora Lewis, o padrão dos aliados, e que os artilheiros ficavam embasbacados com a visão de uma peça de grande calibre.

Nos campos da Flandres teve de ser realizado novamente e a partir do zero, o treino para a guerra de trincheiras.

Sem meios para assistir o exército em França (Portugal apenas tinha dois velhos navios de transporte e nenhum de escolta), e dependente da boa vontade e paciência Britânica, o CEP ficou entregue à sua sorte, sem material nem reforços assim que começou o transporte do exército Norte-Americano para a Europa, fazendo com que os pobres praças Portugueses apodrecessem na lama e frio das trincheiras durante oito meses, quando os seus aliados e inimigos realizavam turnos de 30 dias.

Os oficias, esses, estiveram sempre bem instalados, atrás de secretárias, sempre com licenças para passeatas em Paris-Plage. Aqueles com boas ligações políticas conseguiam uma licença para visitar a família em Portugal, o que sempre significava uma viagem de ida sem volta.

Não admira por isso que, na madrugada de 9 de Abril de 1918, os praças Portugueses tenham atirado as espingardas para o chão, e fugido.

Foi a corrida pelas suas vidas. Foi a única coisa honesta que podiam ter feito.

Fugir a sete pés era a única coisa que uma República, que pouco ou nada se importou com eles, merecia» (fonte)



* Há autores que consideram estes números bastante inflacionados, apontando para baixas portuguesas em La Lys bem mais baixas, da ordem das poucas centenas de mortos. É, pelo menos, a conclusão da historiadora Isabel Pestana Marques, autora da obra «Das trincheiras com saudade» (a Esfera dos Livros, 2008). Em declarações à agência Lusa, por ocasião do lançamento do seu livro, sublinhou que «Portugal participou na I Guerra (1914-1918) fundamentalmente para «legitimação da República e para o seu prestígio, para procurar fazer esquecer internacionalmente o regicídio (1908) e unificar os portugueses pela causa da guerra, o que falhou». A participação portuguesa está, na avaliação da historiadora, muito mistificada, desde logo pela mortandade que afirma não ter não existido e pelo mito do «soldado desconhecido». Segundo a historiadora, morreram dois mil militares portugueses na Europa, 300 deles na batalha de La Lys, muito abaixo dos números divulgados, e seis mil foram feitos prisioneiros. «Inflacionámos os números para obtermos mais dinheiro das indemnizações de guerra», indicou a investigadora.» (fonte

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Jaime Cortesão. Crónicas de um médico nas trincheiras.

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A BATALHA DO LYS

9 de Abril de 1918

Lázaro, ergui-me do sepulcro. Vivo com a frescura de emoções de quem renasce.

Já vejo alguma coisa e dou o meu passeio pelo corredor do hospital.

Mas, porque a minha memória foi profundamente abalada e um véu de sombra me empana ainda os olhos, o mundo e a vida, onde eu reentro; surgem do Caos, brilham a custo, através de um nevoeiro espesso e primitivo. Não vejo as linhas contornais das coisas e dos seres. Lobrigo apenas manchas paradas e sombras que se movem.

Voltou-me com violência, nova o desejo de viver. Consequentemente o interesse pelas novas da guerra.

Das nossas tropas vem a notícia de mais um raid, realizado com grande valentia. O Américo Olavo consegue levar a sua gente até à segunda linha boche, mas a noite chuvosa, a terra encharcada, e mais do que isso a rápida retirada dos alemães, não lhe dão os felizes resultados que o seu valor merecia.

Com este é o terceiro grande raid das nossas tropas, pois já antes do Olavo, o capitão Vale de Andrade realizara uma incursão às linhas inimigas com muito e feliz arrojo.

De toda a parte chegam sinais de que a luta se intensifica. Espera-se, a cada hora, que a ofensiva alemã, iniciada na direcção de Amiens se generalize a outros pontos da frente.

Mas, - coisa inevitável, - os nossos soldados, começam a revoltar-se. Sim, inevitável. Pois se de Portugal não mandam reforços e nos esquecem, e os altos comandos, sem a coragem de protestar por todas as formas contra esse desprezo, fazem todos os dias aos soldados promessas de descansos e licenças que nunca chegam, e exigem dalguns milhares de homens o dolorosíssimo esforço, que nos outros exércitos se distribui por centenas de milhares, que menos se poderia esperar?.

O desfalecimento, a exaustão, o desespero atingiram o auge nas nossas fileiras.

Hoje enfim as nossas tropas da frente vão ser rendidas em massa. É uma deslocação total para a retaguarda. E como não há portugueses para essa rendição, o nosso pequeno sector vai cair em mão dos ingleses, ficando nós sem um soldado nas linhas!

Eu estou no Hospital das Doidas, em St. Venaint, numa grande parte do qual se improvisou o nosso Hospital de Sangue n.º 2. É um vasto conjunto de casas apalaçadas, dispersas num grande parque, em cerca.

Há ali algumas centenas de mulheres loucas.

Às quatro horas da manhã, deitado na minha cama, acordo ao trovão estupendo duma granada de 31 ou 38, estoirando próximo. O alto e vasto edifício baila sobre os alicerces, e os grandes estilhaços, como bolidos incendiados, rugem e sibilam, sinistros, cortando as paredes e os telhados. Depois outra. E não param. De espaço a espaço, um abalo fundo de terramoto é o espadanar estridulo da metralha. Para as linhas um rebentar de tempestade oceânica raiva, furibundo. O coração aperta-se à lembrança dos que andam àquela hora sobre as altas ondas de fogo e terra.

Quase todos os doentes, que podem levantar-se, vagueiam de luz acesa pelo hospital. Médicos e enfermeiros, tudo se ergueu. O trovejar da planície enche as almas de assombro. Só quando dealba a manhã, e as primeiras grandes novas chegam, eu e o Frazão nos erguemos.

Às dez da manhã sabe-se já que os alemães, numa ofensiva de grande estilo, cuja largueza é por enquanto difícil de avaliar, romperam as nossas linhas e avançam.

Os feridos entram constantemente.

As faces andam pálidas e espantadas. A batalha aproxima-se. Aumenta o seu marulho tonitruante. As novas que chegam rasgam a cada passo o âmbito da tragédia.

A larga cerca do hospital povoou-se pouco a pouco de vultos, clamores e autos, ofegando.

Chego à janela: uma turba que a bruma do dia afunda, invadiu as ruas do parque e a antiga solidão de grupos gesticulantes, acampamentos de acaso, de mantas, máscaras, mochilas e armas, abandonadas sobre a relva dos talhões. Mais e mais grupos entram. Uma ambulância automóvel desliza lentamente e pára em baixo à porta. Do fundo; com vagar, saem em braços volumes humanos, as cabeças e os membros descaídos. Os meus olhos, cuja névoa de sangue deixa apenas entrever as coisas, desta distância enxergam tudo aquilo em sombras moventes.

Com o giro das horas inunda-se o parque; a turba vem às ondas e reflui até se afogar nas casas e nas áleas, e cada vez mais o rumor, que exala, me inquieta e aflige:

-Vai encher-se tudo com feridos, – dizem.

Resolvo então ir ajudar os camaradas, que lá em baixo se estenuam na faina cirúrgica. Esqueço a minha trémula convalescença e desço, agarrado ao corrimão, as escadas que, levam à cirurgia.

-A meio do último lanço chega-me, lá do fundo dos vastos salões, um bafo quente de fornalha e um borborinho confuso.

Entro na primeira estância: regurgita de feridos, lançados em macas, a esmo, sobre o ladrilho do chão, de lés-a-lés. Ao primeiro relance lobrigo apenas, lançada por terra, a massa azul-cinzenta das fardas, manchada de lama e sangue.

Ouve-se um remexer dorido, gemidos baixos, rouquejos. E logo, distintamente, salta-me aos olhos a visão dum grupo tragicamente imóvel, ali ao pé, rente a mim, e à orla do amontoado humano: é um padre que reza, ajoelhado, as orações da última hora, dobrado sobre um vulto estendido e inerte com uma face branca e fria de gelar.

O meu olhar, que sai da escuridão recente, ao encontrar-se de novo com o Mundo, cerra-se aflito e atónito.

Para seguir às salas da frente é mister entrar num cortejo de soldados, sopesando em macas mutilações humanas. Ali trabalham sem descanso três equipes de operadores.

Lançados ao acaso sobre as macas, os feridos de mais gravidade esperam a sua vez. Um cheiro pesado e morno a éter, sangue e entranhas violadas entontece e engulha. À beira deste ou daquele pingam nascentes de sangue. O chão é todo manchado pelo rio vermelho da vida que extravasa.

Oh! mas este odor a matança é intragável. Paro, hesito. Não, não posso. É demais para as minhas forças débeis. E depois, estes gritos! ... Alguns psalmodiam queixas lúgubres. E, a espaços, forma-se um coro desgarrado de apelos e uivos, como de reses mal abatidas.

Um homem com a cara cor de chumbo e lama, sacode no ar um coto de braço empanado, todo rútilo de sangue, e implora, uivando:

- Não me deixem morrer! Tenham pena de mim!

Ali, para um canto, caiu uma horrível massa humana ensanguentada e informe; não se lhe vê a cabeça, todavia aquilo geme numa suprema despedida, muito baixinho, de cortar o peito:

- Ai ! minha rica mãezinha ! - como um degolado, cuja voz, tão sentida é, nascesse do próprio coração. 

E a um dos lados, contra a parede, alçou-se agora da sua maça um vulto lívido, numa palpitação de fantasma, olhou de longe e à volta com duas brasas nos olhos, mexeu os lábios, quis dar um passo e recaiu pesadamente.

Vou tentar um esforço. A piedade galvanizou-me e dirijo-me a um dos médicos:

- Dê-me também que fazer.

Mas o odor e a vista da carnagem acabam de vencer-me. Cambaleio, fecho os olhos, descaio contra a parede.

- Não, você, - diz-me ele, - não pôde ficar aqui, suba à enfermaria dos oficiais e, se quer, dê os primeiros socorros aos gaseados.  

Saio; e resolvo não olhar aos lados, no receio de cair ao chão. Não obstante, aquela visão palpita à minha volta, já se esvanece, logo se aclara, numa lenta espiral de gestos e manchas de crúor. Vou à toa; os sentidos tacteiam.

Tropeço num vulto que está de bruços no chão. E, ao seguir no corredor, alguém, que passa sobre uma maca alta, chama peto meu nome, numa, voz passada de lástima e dor. Volto-me e, quase na frente, uma cara marfínea, aberta em fundos de agonia, coalha dois olhos glaucos contra mim. Fito, atónito, aquele rosto de espectro, sem atinar quem seja.

E a voz volta, carinhosa, esmolando já de longe:

- Não se lembra?!

- Não me lembro.

Revolvo cá dentro a memória atorpida; mas em vão. Tento sacudir este marasmo: tudo inútil. Quem será?! Aproximo a minha da sua horrível face. Que mágoa de o não conhecer! Mas, perante o meu espanto mudo, os olhos vítreos fecharam-se e a boca emudeceu também, selada por um cansaço infinito.

A maca segue e eu fico a olhá-la aturdido, quase com remorso. Aquela alma, a debater-se rio fundo da sua agonia, esperava decerto uma palavra amiga de conforto. Que chama de sofrimento lhe queimou a face, se a não conheço? Sigo, mas a lembrança do desconhecido alanceia-me agudamente.

Subo de novo. Oficiais gaseados entram constantemente. Os dois primeiros já morreram de colapso cardíaco. Um tem na cara roxa de defunto uns olhos rubros de laca. Outros vêm, figuras lívidas, queimadas, farrapos e crostas de lama, cambaleiam, desabam sobre as camas e depois que os despem ficam longamente sem falar nem bulir.

Há-os sacudidos de vómitos brancos, intermináveis.

- Da minha bateria escapei só eu, – diz um.

E aquele que está sentado, com a cabeça entre as mãos e os olhos perdidos, repete com voz cava, falando consigo:

- Foi o Alcácer-Quibir do C. E. P. ...

Há-os tão inertes que parecem empedernidos de cansaço. Outros endoideceram de espanto.

O capitão Queiroz do 20 de Infantaria, amparado por dois soldados, avança, todo encharcado em lama, negro, desvairado, pintado a sangue e pólvora. Tomo conta dele; faço-o despir, examino-o, dou-lhe os primeiros cuidados. Foi atingido e rasgado por estilhaços aqui e ali, numa perna, nas costas, no pescoço, e sufoca de gases. Como conhece o Frazão, que está ali perto e me auxilia, conta-lhe a batalha em gritos, anseios e gestos doidos. Mas dir-se-ia possesso daquela visão de inferno. Como alguém escapo a um cataclismo, treme todo ainda do grande arrepio.

- Eu estava nas linhas, Frazão. Saíamos hoje de manhã. Às 4 da madrugada rompe um dilúvio de metralha tão formidável, como nunca vi nem sonhei. A tempestade de ferro durou horas.

Um do lado confirma, com os olhos dilatados:

- Eu vi, eu vi: Ao atravessar os campos as granadas caíam aos milhares! Alevantavam o chão todo! A terra fervia em cachão!

E este

- As aldeias ardiam como archotes alumiando a noite!

E aquele:

- Lembrava o Inferno, a terra toda a ater!

O outro agora ergue-se e avança, recua, esbraceja, pincelando a sua história num delírio.

- Depois ao vir da manhã atacaram. Atacaram em massa, às ondas, sempre em ondas, numa catadupa de homem. Só muito perto os vimos surgir do nevoeiro espesso da manhã. De nós os que ficámos, raros intactos, resistimos até à última. Houve cargas de baioneta. Uma fúria! Tu sabes: a coisa que mais detesto são os falsos heróis. Mas ninguém, ninguém faria mais. E tu conheces como estávamos cansados... A seguir abateram ou manietaram tudo à força de número. Vi junto de mim, ali ao pé, oficiais alemães, pistola em punho, atirando sobre os poucos que tentavam salvar-se. Eu próprio estive envolvido. Atirei sobre um. Resisti. Furtei-me. O nevoeiro, o fumo da pólvora; a poeira levantada no ar eram tão densos, que pude escapar com duas ordenanças Todo o meu terror era cair prisioneiro: Antes morrer, morrer mil vezes! Lá venho. Mas os caminhos tinham sido apagados pelos fundões dos rebentamentos e andámos de cova em cova, aos rebolões, errando. Logo, alguns passos dados, caio e zás! fico enterrado até os ombros na lama dum dreno. Já me dispunha a morrer, a ficar ali, sem forças para mais. E os meus homens, -como eles são dedicados! - teimaram, que não arredavam pé e, à força de pulso, arrancaram-me ao charco. Lá vim, de trambolhão, caindo aqui, além me erguendo, no meio da tormenta. De começo, ao rebentar das granadas, ainda me lançava a terra; depois, perdido, cortando os campos ao acaso, ferido, exausto, cambaleante, nem as ouvia, nem me importavam, insensível ao perigo.

Este homem não cansa de falar. O furacão da batalha entrou, lá dentro, açoutou-lhe os nervos e a sua emoção despenhada rola e corre, sem parança. Ajunta traços novos: os feridos mais graves, que ficam à beira dos caminhos, de pernas jarretadas; nadando em sangue, à espera da morte.

Alguém pergunta:

- E onde estão os boches?

E ele:

- Não sei: em La Gorgue, em Laventie... no diabo... Os nossos resistem em muitos pontos da Village Line. E encontrei batalhões de escoceses, os que haviam de render-nos, marchando para lá, magníficos, a cantar.

Um enfermeiro vem e diz-me que um oficial ferido, há pouco chegado, me pede para ir falar-lhe.

- Onde é?

-No pavilhão, ao pé da capela do hospital.

Desço ao parque. A multidão peja o recinto.

A ressaca furiosa da batalha vem ali bater às golfadas, e espadana, volteia, ruge como as ondas, que invadem as grandes furnas a meio da costa, dentro do Mar.

Desde a manhã raras granadas calam nestas paragens; mas agora ao começo da tarde afluem umas trás doutras; e, aqui e além, desabam explosões, enquanto as shrapnells de 15 ribombam sobre o hospital.

As ambulâncias automóveis entram, correm, partem de novo ou estacam e arfam trepidando. Paro desnorteado. Para lá dos meus olhos baços vai um formilhar de espectros, que desemboca dos carros fundos, sopesa macas, e se dispersa ou chocarem redemoinhos e grita, comanda, ulula.

Entro no pavilhão e busco com o olhar algum rosto conhecido. As granadas caem, estoiram lá fora. Logo à entrada, dentro duma cama, vejo um homem em quietação extrema. Só a face, cujo tom plúmbeo ressalta na brancura do lençol, narra uma dor horrível.

Os olhos estão cerrados, mas a contractura violenta dos masseteres, o latejar das têmporas e o premir raivoso dos beiços, de comissuras caldas, dizem o esforço de não gritar. É o capitão Almiro de Vasconcelos. Um enfermeiro conta-me em voz baixa que tem uma coxa esfacelada.

As camas estão cheias.

Então lá do meio um gesto brando acena-me. Avanço até ao leito, donde sai um meio corpo inquieto e uma cabeça de face inchada, os queixos atados, deixando ver junto da boca o extremo duma larga ferida.

Custa-me a reconhecê-lo, tão deformado e branco tem o rosto. É o alferes Jaime Leote do Rego. E baixinho, que o bulir dos lábios abre-lhe dares na face, conta-me o seu caso.

Noite ainda, marcha para a frente, a restabelecer as ligações telefónicas. Já alguns ingleses abandonam as baterias esfaceladas. E ele continua na sua faina, em meio da tempestade, arrostando longo tempo, no cumprimento terrível do dever, o vendaval de ferro e fogo, até que um estilhaço lhe rasga a face desde a orelha à boca. Duas horas tem que andar a pé, esvaindo-se em sangue.

Lá fora e perto urna granada estoira com violência. Um sacudir convulso de paredes. E o moço herói, agora aniquilado, com inquietação febril, agarra-me na mão e pede que o não deixe, se acaso evacuarmos o hospital.

Vou saber, - digo-lhe; - e ao sair, acaba de se espalhar, veloz, a ordem de evacuação. Todos os doentes ou feridos que andem pelo seu pé, por grave que seja o seu estado, teem de abandonar o hospital e seguir para, as ambulâncias da retaguarda, a, mais próxima das quais está dali a três léguas. Os outros, os feridos de gravidade, hão de sair pouco a pouco nas ambulâncias automóveis.

Como a tarde cai rapidamente e já se ouvem as granadas de pequeno calibre, prenúncio de que a batalha se avizinha, e os automóveis carream para ali novas de horror e faces de tragédia, o clamor, a angústia, o redemoinhar precipito da turba decuplicou.

Mais um automóvel com feridos.

São os homens patilhados da brigada do Minho. O capitão Franco esfarrapado, coxeando, cor de cera; o tenente Branco com a cara e as mãos queimadas, em carne viva, e outros, outros ainda. Dentro do automóvel, em viagem, um estilhaço veio matar um dos feridos.

Encontro-me com o Frazão. Temos que sair quanto antes. A noite e os boches estão perto. Os corações das gentes batem com o ritmo espantosa da tragédia. Algumas levas abalaram já e a estas horas seguem pelas estradas. Conto-lhe do Leote. Temos que ir lá, e vamos os dois falar-lhe. Ele sabe já. Mas os ecos surdos ou violentos das explosões incessantes, o receio de ficar para ali abandonado ou sepulto em escombros, na noite e na catástrofe, acendeu-lhe o desejo de viver numa fogueira de aflição. E, pois que se esvasou em sangue e lhe encheram os vasos de estimulantes para lhe manter o coração, tomou-o uma embriaguez louca. Tenta erguer-se, agarra-se-nos, e suplica-nos, com gestos desvairados, que o não deixemos ali.

- Mas como, - dizemos nós, - se está exangue, sem forças e aos primeiros passos vai cair por terra?!

- Não! Não me deixem! Não me deixem l Vou amparado. Vocês seguram-me, verão... Eu posso...

O escuro da tarde já invadiu a sala. Há vultos que lutam, peito a peito, com a sombra e o pavor. E eu vejo apenas alumiando aquele fantasma estrebuchante os dois olhos fixos, a arder, como carvões acesos.

Pam... Pam... Boum... fazem lá fora as granadas. E ele quer saltar, ir connosco. Debate-se, alteia-se, crispa as mãos, como um afogado, prestes a afundar-se.

Está doido, está bêbado de pânico...

Eu que já conheço, por experiência própria, aquele estado de terror, que segue as grandes quebras físicas, em casos tais, sofro com angústia da minha piedade, impotente.

Saímos. É forçoso abalar. No parque gente chama, corre, dá ordens. Os automóveis vêem, voam, partem; a noite aguilhoa o movimento da turba vertiginosa.

Eu, o enfermeiro Baldaia, o meu impedido, o tenente Frazão e outros oficiais partimos num grupo. Ao sairmos, uma granada cai perto. Alguns, soldados lançam-se por terra, e o Frazão increpa-os com escárnio, dizendo para lá das palavras o seu espanto de que àquela hora alguém tenha ainda o receio de perder a vida.

Na estrada vamos engrossar o longo cortejo dos que retiram: - farrapos de regimentos, famílias de civis com as crianças ao colo, carretas conduzindo os restos dos lares, trabalhadores chineses, e, em grupos soturnos, soldados portugueses, ingleses, australianos, tudo numa torrente apressada, silenciosa, devorada pelo drama comum.

Atrás afogou-se na sombra o palácio dos doidos, dos cadáveres, dos mártires, dos moribundos, erguido à beira do rio humano, como um genial monumento de aflição.

Vamos, como feras acossadas por um incêndio, olhando de vez em vez para trás com olhos endoidecidos pelo espanto. Vamos levados, impelidos, arrastados, como coisas inertes na catadupa dolorosa. Andamos horas. Sigo amparado, vacilante; esfrangalhado.

A névoa, a noite, a fome, a fadiga, a cegueira, que de novo me empana os olhos, o surdo estrépito da caravana maldita galgando os caminhos, aquele potenciar constante de misérias e dores já me alucinam.

Que verdade?! que pesadelo?! que sonho hediondo é este?!

E um desejo desesperado se enraíza cá dentro de juntar as derradeiras forças para numa revolta última, atirar-me à valeta e ficar ali até que a morte me salve. (...)

Jaime Cortesão, Memórias da Grande Guerra (1916-1919), Porto, Renascença Portuguesa,"Biblioteca Histórica, Memórias II", 1919, pp.200-214. (fonte do excerto)

Lições do Passado. Alemanha debate o seu papel na I Grande Guerra

«Na Alemanha, o debate está sendo impulsionado especialmente por dois lançamentos literários monumentais: Der Grosse Krieg: Die Welt 1914-1918 (A Grande Guerra – O mundo em 1914-1918), de Herfried Münkler, e a tradução para o alemão de The sleepwalkers: How Europe went to war in 1914 (Os sonâmbulos: Como a Europa foi à guerra em 1914), do australiano Christopher Clark. 

Este último questiona o que desde a década de 60 é tido como consenso entre os historiadores alemães: que a culpa pelo início da Primeira Guerra Mundial foi da Alemanha. Na contramão dessa certeza, Clark descreve os eventos até a eclosão, em agosto de 1914, como "resultado de uma densa sequência de acontecimentos e decisões, num mundo entremeado de relações e conflitos múltiplos".(...)». Continua aqui: Cem anos depois, mídia internacional dá destaque à Primeira Guerra Mundial | Cultura e Estilo | DW.DE | 15.01.2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

Introdução: "Portugueses nas Trincheiras". Um doc

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«(Recordar as provações passadas pelos 55.000 soldados portugueses enviados em 1917 para o Norte de França. O Corpo Expedicionário Português era constituído por camponeses arrancados às suas aldeias, treinados em Tancos, embarcados para terras distantes, enterrados em trincheiras e esquecidos quando Portugal vivia mergulhado em convulsões. Em 9 de Abril de 1918, foram milhares a cair prisioneiros. O Alto Comando alemão fazia a derradeira tentativa para derrotar os Aliados.» (in sinopse RTP)

Produção RTP
Um programa de: Sofia Leite e António Louçã
Imagem: Rui Lima Matos
Edição de imagem: Paulo Marcelino
Captação e pós-produção áudio: António Garcia e Carlos Nunes
Produção: Ana Lucas